sexta-feira, 27 de maio de 2011

Lajeadenses - "Moleton amarelo no recreio"

Não lembro de quando comecei a gostar dela, mas só sei que ela ia de moleton amarelo no recreio, quando ainda não era minha colega. Ela era da escola, e não de outra, como se fosse a cara da escola. Eu sabia que essa escola tinha ela, e a outra não. Ela mais umas três gurias mais grandes fazem a cara da escola, e os guri grande também, do futebol e da banda. Juntos fazem mais a cara da escola do que as freiras que tem lá. Tá, eu já tinha visto ela bem antes do recreio... Na rua, eu sabia que ela era dessa escola, e acabei entrando lá - por sorte. Minha mãe que me botou. Foi a primeira vez que eu não tive vontade de chorar. Ela e o moleton amarelo no recreio. Nem precisa ficar triste.
Ninguém mais acha ela bonita. Tá, tem o Djan, que gosta de coxas, de qualquer guria que vem de bermuda. Ela tem umas coxas bem bonitas, eu já passei a mão nela uma vez que fomos numa viagem pra Imbé, ver os peixes e os tanques do exército. A gente tava saindo do ônibus, no corredor, ela me olhou e eu deixei ela levantar do banco e ir na frente. Os guri começaram a empurrar atrás e daí todo mundo se bateu na frente. Aí eu passei a mão na coxa dela, meio que ajudando. Ela riu com os dentes de aparelho, deu aqueles gritinhos, eu não sei se ela gritou porque quase caía e se espremia, ou se notou eu passando a mão assim. Porque eu quis deixar como se fosse sem querer. Primeiro eu passei atrás da minha mão assim, daí depois eu virei porque era muito bom. E com o cheiro dela, eu fiquei bem perto do cabelo dela, ela tem um cheiro de armário bom, eu imaginei que a casa dela deve ser assim, o cobertor dela, deve ser tudo amarelo no quarto. Daí quando eu encostei a outra mão nas costas dela pra cuidar, deu pra sentir o grito dela tremendo como se fosse uma caixa de som, ela virada pra frente rindo com as outras gurias, e virava meio de lado com cara de sofrimento rindo. O cabelo dela caía, as costas tremendo, daí eu vi como ela é fraca e leve, foi muito bom, deu uma vontade de apertar a coxa, e esfregar a mão. O Djan só olha pras coxas, e fica pegando no tico pra provocar as gurias. Eu tive vontade de encostar o tico nela, mas tive mais vontade ainda de abraçar, tudo junto assim, me deu calor, fiquei vermelho, só cheirando o cheiro dela, e tudo tão calor. A gente nem se conhecia direito.
Não sei se foi o moleton amarelo nos recreios. Eu acho bonito, mas ela com o cabelão reto assim, fica andando com aquele jeito e tirando ele da cara. Esses dias eu vi ela na calçada, eu tava no ônibus. A mochila dela é legal, tem um monte de chaveiros. Fiquei olhando sem parar, nem fiquei com vergonha se ela visse que eu tava olhando. Olhei quando vi ela lá na frente, até ela passar e sumir atrás da janela. Quando vi que ela era minha colega nesse ano foi muito bom. Eu já queria, parece que é uma coisa que eu rezei, que dá na tv. E eu nem pedi, eu só queria.
Ela joga vôlei meio mal. O Djan acha mais bonita as gurias que jogam bem. Eu nem sei jogar também, não sei se é por isso. É que guria tem que saber jogar vôlei melhor que guri. E ela nem sabe, sempre ri dos saques, mas é muito bom ver ela rindo. O moleton que ela usa às vezes dá pra ver as tetas. O Djan diz que ela não tem nada, mas eu acho que ela tem, eu fico no recreio olhando ela sentada. Quando ela se deita pra trás não tem teta, mas se tá comendo mais pra frente dá pra ver. Esses dias eu dei meu sanduíche inteiro pra ela. Pelo menos a gente ficou conversando um monte, falando de bicicleta. A Maína já veio dizendo que eu gostava dela, dar toda merenda pra alguém. Ficou gozando um pouco, mas eu gostei. Ela nem deu muita bola, ficou rindo, e fez aquela cara de abobada tipo pra Maína, que a Maína tava sendo a abobada, e nem deu muita bola, continuou conversando comigo. Eu pensava que eu nem ia conseguir falar, mas me deu muita vontade na hora, foi muito bom. Eu queria o sanduíche, mas quando ela disse que tava com muita fome e esqueceu a merenda, eu dei o sanduíche. Logo quando ela quis eu perdi a fome, veio aquele gosto doce na barriga. Daí ela comia e eu falava mais, e ela ria e limpava a boca, e ficava fechando os olhos porque o sol tava muito forte. Daí eu vi que o pão grudava um pouco no aparelho, mas nem dava nojo. Parece que ela não tem bafo. Ela fala bem pertinho de mim e se mistura o cheiro dela de armário bom com um cheiro de boca, mas é um cheiro bom. Eu tomo no copo dela se ela oferecer.

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